Feira do Livro de Frankfurt discute acesso aos livros digitais

08 de Outubro de 2013, 16:37
[caption id="" align="alignnone" width="600.0"]detalhe do pavilhão em homenagem ao Brasil | foto: katherine funke detalhe do pavilhão em homenagem ao Brasil | foto: katherine funke[/caption]

"O tema mais atual do mercado editorial é garantir o acesso aos bens espirituais", disse Juergen Boss, diretor da Feira do Livro de Frankfurt, durante a coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (8/10). Boss destacou a importância do editor como agente político e cultural -  e a ausência dessa figura em grande parte das publicações digitais capitaneadas pelos três gigantes do mercado digital (Amazon, Apple e Google).

Entre outros temas, este ano a feira traz a preocupação geral em encontrar formas de driblar o controle desses três grandes gigantes sobre os novos hábitos de consumo. Não se trata exatamente de desenvolver tecnologias próprias de leitores de livros digitais, mas outras questões relativas à qualidade dos produtos, democratização e acesso.

"Uma criança pode ter uns trocados no bolso, ir a uma livraria e comprar um livro físico. Com o digital essa simplicidade no ato de escolher e comprar não é mais possível", comparou Boos, citando como empecilho básico a necessidade do consumidor fornecer um número de cartão crédito para poder criar uma conta de usuário e baixar/comprar livros digitais.

Garantir o acesso aos bens espirituais (livros e outros produtos) passaria pelo fortalecimento de alguns agentes, desde o consumidor final - que deve manter seu espírito crítico seletivo em vez de entregá-lo a um computador que indica uma lista de prováveis interesses relativos ao "perfil do usuário" - até os governos, que devem estar atentos ao novo comportamento do mercado da informação e publicação de livros.

"Um novo mercado gera novos temores e também novas estruturas de poder aos quais precisamos estar atentos. Não somos mais um mundo estruturado geograficamente, mas em pequenos e grandes", disse.

Empreendorismo

Desde hoje, a Solisluna Editora também está presente nessas discussões efervescentes da Feira do Livro de Frankfurt, que segue até domingo (13/10) com uma série de eventos específicos dedicados à cultura e ao mercado brasileiros, já que o Brasil é o país homenageado em 2013.

A editora exibe 24 títulos no estande brasileiro e participa pessoalmente do maior encontro mundial sobre publicação de livros por meio de uma equipe de editores e autores presentes na Alemanha, parte deles com apoio do edital de mobilidade artística da Secretaria de Cultura da Bahia.

Para Stephen Smith, CEO da Wiley, empresa dedicada ao desenvolvimento de ferramentas de informação de diversos tipos, os editores brasileiros merecem destaque pela sua energia empreendedora e o profissionalismo. Ele destacou que há uma queda mundial na venda de livros impressos desde 2008, motivada por muitos fatores (crise econômica, chegada dos livros digitais etc) e não se acredita em uma retomada imediata. Ao contrário: "a revolução digital já chegou e vai mudar nossa forma de pensamento."

Por outro lado, ainda deve demorar muito tempo para que o livro impresso seja uma tecnologia ultrapassada. Haverá uma convivência entre os dois modelos, de modo a reinventar o hábito de leitura. O americano citou uma frase de Monteiro Lobato para acalmar os editores tradicionais: "A coisa que menos mete medo é o futuro".

Pavilhão dedicado ao Brasil

Depois da coletiva de imprensa, os jornalistas foram convidados a conhecer antecipadamente o pavilhão dedicado ao Brasil, um amplo espaço acolhedor com redes para deitar e ouvir música brasileira, almofadas para sentar no chão diante de dezenas de livros de autores brasileiros traduzidos para outros idiomas e bicicletas para pedalar virtualmente pela riqueza e diversidade do Brasil.

Antes do tour, Daniela Thomas explicou as inspirações do designer Felipe Tassara, de São Paulo, para compor o espaço.

Grandes painéis de peças de papel encaixadas, com imagens de capas de livros brasileiros, formam curvas com a simetria e a simplicidade das linhas da arquitetura modernista. "Decidimos homenagear o papel, que afinal têm sido amigo da nossa imaginação há mais de cinco mil anos", disse Daniela.


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