por Valéria Pergentino
Arte, Memória e Ancestralidade
Edsoleda nasceu em Salvador,
tecida por três matrizes
branca, indígena e africana
mas foi no seio da ancestralidade negra
que encontrou o fio mais profundo de sua criação.
Das mãos e da memória de sua bisavó,
Ebami Maria Augusta Pires,
herdou saberes sagrados,
encantamentos, lendas e silêncios
que mais tarde floresceram em imagens.
Entre rezas católicas e encantarias dos orixás,
se formou artista
com o olhar atravessado por mundos.
Desde cedo, desenhou cidades que respiravam,
formas que se moviam,
e ideias que não se calavam
nem mesmo diante da dureza da censura
e da violência dos tempos.
Sua arte nunca se afastou da vida:
denunciou guerras,
acolheu dores,
e transformou tudo em linguagem sensível.
Professora, criadora, pesquisadora,
Edsoleda percorreu décadas
entre salas de aula, ateliês e palcos,
sempre guiada por um chamado maior.
Nos anos, mergulhou nas águas de Oxum,
nas cores, nos ritos e nos mistérios,
fazendo da ancestralidade não apenas tema,
mas destino.
E foi desse encontro profundo
que nasceram suas obras,
suas imagens,
e a coleção Lendas Africanas dos Orixás
onde palavra e pintura dançam juntas
como memória viva.
Edsoleda não apenas cria:
ela traduz o invisível,
escuta o tempo,
e devolve ao mundo
o brilho das histórias que nos formam.
Sua obra é rio,
é travessia,
é permanência.
Axé.
Conheça a Coleção Lendas dos Orixás, de Edsoleda Santos, editada e publicada pela Solisluna Editora.

0 comentários