Frankfurter Buchmesse
Compartilhando experiências e impressões no mundo dos livros.

08 de Novembro de 2013, 11:41

Foram 10 horas de Salvador a Frankfurt, viagem tranquila, noturna. Ao chegarmos às 9 horas da manhã, fomos para a casinha vermelha alugada previamente, localizada em um horto com muitas flores e plantas. Lindo!

Logo no primeiro dia de adaptação do grupo à casa, fomos ao supermercado. Uma limpeza e riqueza de produtos incrível! Tudo mais barato que aqui. Impressionante como a hospedagem e alimentação na Alemanha em euros é mais em conta que no Brasil. Nos surpreendemos com a facilidade de ir e vir, o nosso ticket para entrada na feira nos dava o direito de usar todos os transportes da cidade  durante o período da feira– ônibus, bondes  e trens de pontualidade germânica.

No segundo dia, a caminho da feira, na parada do trem, uma bela paisagem ornada por todos lados de belas árvores nas cores do outono, conhecemos um simpático autor e dono de uma pequena editora em Nova York que nos apresentou os livros que ele edita. Lindos! Um inspirador começo. Iniciamos nossa visita à Feira do Livro de Frankfurt, a Frankfurter Buchmesse, participando de um tour para editores brasileiros, promovido pela organização da feira e a Missão Cultura Exportadora do programa Brazilian Publishers.

Neste mesmo dia teve a abertura oficial da feira com as autoridades brasileiras e alemãs em um enorme e lindo auditório, com todos os lugares ocupados. O escritor Luiz Rufatto falou em nome da delegação oficial dos escritores brasileiros que foram para Frankfurt, enviados pelo Ministério da Cultura. Em um discurso contundente, ele apresentou ao mundo as nossas mazelas e tristezas. Sua fala foi muito forte e tocante, digno de muitos aplausos, mas teve um sabor indigesto para nós que aqui vivemos e batalhamos para que as coisas se modifiquem. Tudo o que ele falou precisa realmente ser dito, mas, talvez, o local apropriado fosse outro. Incrível também a fala do Ministro das Relações Exteriores da Alemanha. Ele focou seu discurso no livro e no que este representa como bem cultural para a humanidade, na importância dos governos protegerem o livro do livre comércio, pois “livres devem ser as ideias”.

Depois das falas houve uma festa linda para convidados em um dos espaços do Brasil com a abertura de uma bela exposição, com projeto e curadoria de Daniela Thomas, mostrando o Brasil das letras. Teve também a apresentação de um grupo musical do Clube do Choro de Brasília.

No pavilhão do Brasil mais de 100 editoras pequenas, médias e grandes, expuseram seus livros em espaços individuais de igual dimensão, um módulo com três prateleiras. Tudo muito limpo, bonito e organizado com recepcionistas simpáticas, frutas, café e no final do dia caipirinhas. Senti falta neste espaço da identidade e do design brasileiro.

A estrutura da feira é um complexo formado por nove grandes pavilhões onde a maioria dos países estiveram presentes. É literalmente o Mundo dos Livros. É tudo tão grande, que esteiras rolantes facilitam as caminhadas nos corredores que ligam os pavilhões. Como é uma feira de negócios, estão presentes principalmente os editores, agentes literários, órgãos governamentais responsáveis pelas publicações, gráficas e todos os demais profissionais que trabalham no universo produtivo do livro. É basicamente um feira de compra e venda de direitos autorais e de serviços.

Nos dias seguintes fizemos contatos com editores de várias partes do mundo como Alemanha, Itália, França, Rússia, Geórgia, Estados Unidos, Nigéria, China e Índia. Os auto

res brasileiros são respeitados e nossos livros fazem sucesso principalmente pela diversidade. A Bahia é especialmente querida e muitos nos procuraram e muitas conversas boas aconteceram. Sabemos que agora outra fase se inicia, os livros sairão da Bahia para o mundo! Com certeza o aprendizado foi grande, pois a possiblidade de conhecer pessoas e profissionais de várias culturas amplia ainda mais o nosso horizonte e as possibilidades de negócios são ilimitadas.

[caption id="" align="alignnone" width="2500.0"]Izabel Harris se emociona ao conversar com as jovens vencedoras do concurso literário Izabel Harris se emociona ao conversar com as jovens vencedoras do concurso literário[/caption]

Uma experiência muito marcante que não posso deixar de compartilhar foi a visita que recebemos no sábado dia 12, nosso último dia de feira. O professor doutor Abdul-Rasheed Na’ Allah da Kwara State University da Nigéria, trouxe um grupo de jovens estudantes nigerianas que venceram um concurso literário promovido pelo The Channels Book Club nigeriano e que ganharam como prêmio a viagem para a Feira do Livro juntamente com seus pais e professores. Izabel Harris, da Solisluna Editora, apresentou ao grupo os nossos títulos sobre a cultura afrobrasileira, encontro que foi documentado pela televisão nigeriana em um momento de alegria e emoção.


Valéria Pergentino

Fizeram parte do grupo da Solisluna Editora que foi a Frankfurt: a editora e designer Valéria Pergentino*, Enéas Guerra* editor e autor; Izabel Harris*, marketing e tradução; Katherine Funke*, jornalista e escritora; Iêda Marques*, fotógrafa e escritora; Débora Knittel escritora de livro infanto juvenil; Dora Ramos autora e seus acompanhantes Marcia Hage e Gabriel Braga.

* Estes profissionais receberam o  apoio para a viagem do Edital de Mobilidade Artística e Cultural da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.